Conversão de Pedro PDF Imprimir E-mail
Escrito por Carlos Zardini   
Qua, 03 de Março de 2010 21:45
Todos conhecem a conversão de Paulo. Paulo era aquele inimigo de Jesus que um belo dia estava indo para Damasco para prender e matar discípulos, mas que encontrou Jesus no meio do caminho e teve sua vida transformada. Poucos conhecem a conversão de Pedro. Por muito tempo sua conversão passou desapercebida a mim, e isso se devia ao modo como eu via Pedro.

Simão Pedro era para mim uma pessoa inconstante. Por vezes enquanto estava com Jesus, mostrou que não lhe entendia muito bem. Uma vez, na tempestade, saiu do barco ao encontro de Jesus andando sobre as águas, mas afundou. Quando Jesus revelou que seria crucificado, rejeitou radicalmente a idéia. Outra vez, quando Jesus foi lavar-lhe os pés, quase teve um ataque do coração. Mas o momento que mais havia me marcado a respeito de Pedro aconteceu após a prisão de Jesus. Pedro estava seguindo disfarçadamente os soldados que levavam Jesus acorrentado à casa do sumo sacerdote. Quando chegaram ao pátio da casa, uma das criadas olhou para Pedro e disse pela primeira vez:
- Ei, eu conheço você... você é aquele homem que andava com Jesus!
- Não conheço esse homem! Nem sei o que você está dizendo!

Evidentemente, Pedro tinha medo. Todo mundo teria. Estava presenciando cenas terríveis, castigos desumanos eram aplicados no corpo de Jesus: açoites, socos, pauladas, e Pedro não queria ter o mesmo fim. A criada retrucou a resposta de Pedro, falando mais alto dessa vez para que todos ouvissem:
- É você sim! Você é um dos discípulos dele!
- Não, você está enganada!

Pedro sabia que Jesus iria morrer. Pedro tinha medo de morrer. Sua cabeça era uma enorme confusão. No passado, ele viu Jesus fazer coisas incríveis, viu ressucitar mortos, ouviu Jesus falar de um Reino de Deus e de uma Vida Eterna. Mas naquele momento Pedro não via a vida, só via a morte. Pela terceira vez, um dos que estavam no pátio o reconheceu:
- Veja seu sotaque, você é galileu como Jesus, então você é um deles!
- Não! Eu juro, não sou eu, não conheço Jesus, eu juro!

Eis a terceira negação. Pedro se amargurou do que tinha feito, foi chorar escondido. Estivera amedrontado, petrificado pela forma com que os sacerdotes do Sinédrio tratavam seu mestre. Tudo aquilo havia se transformado num circo de horrores. Por muitos dias Pedro esteve apático. Jesus foi crucificado, Jesus ressucitou, e Pedro continuou sem rumo. Em sua consciência pesavam as três condenações, não se achava digno de continuar a obra. Voltou para a Galileia, voltou para a vida antiga, tomou seu antigo barco e foi pescar. Até o dia em que Jesus reapareceu na margem do lago e foi lhe perguntar:
- Pedro, você me ama?
- Sim Jesus, você sabe.
- Então, vai confortar minhas ovelhas.

Era verdade, Pedro o amava. Mas Pedro tinha feito algo muito feio. Negou Jesus diante de várias pessoas. Mentiu, jurou falso. Não podia confortar as ovelhas, porque não tinha conforto em si mesmo. Jesus teve que perguntar pela segunda vez:
- Pedro, você me ama?
- Sim Jesus, eu te amo.
- Então, vai confortar minhas ovelhas.

Mas as ovelhas já sabiam da besteira que Pedro tinha feito. A negação havia se tornado um assunto público. Quem confiaria em Pedro novamente? Sua consciência ainda o acusava. Precisou que Jesus perguntasse pela terceira vez:
- Pedro, você me ama?
- Sim Jesus, você sabe de tudo, você sabe que eu te amo.
- Então, vai confortar minhas ovelhas.

Pronto, eis o terceiro perdão. Agora ele estava livre, podia voltar à Jerusalém, juntar-se aos discípulos, continuar a obra que havia sido interrompida. Não mais como o Pedro da negação, mas o Pedro do perdão, restaurado, firme como a pedra escolhida por Deus.

O tempo passou e os discípulos espalharam a mensagem de Jesus. Mais pessoas ouviam a mensagem e se libertavam de suas prisões espirituais. A liberdade implicava no rompimento com o antigo sistema, e essa situação voltou a incomodar os sacerdotes. Então, o sumo sacerdote prendeu Pedro para o interrogar e novamente Pedro se viu diante do antigo dilema. Para piorar, dessa vez não era mais a criada, mas o próprio sumo sacerdote a lhe acusar, o mesmo que condenara Jesus à morte. Mas dessa vez a resposta de Pedro foi diferente:
- Importa obedecer a Deus e não aos homens. Vocês crucificaram Jesus, mas Deus o ressucitou e o exaltou como Príncipe e Salvador, para conceder a vocês o perdão. Nós somos testemunhas disso.

Finalmente, eis o novo Pedro, sem medo, confiante, sabendo que a morte não significava o fim, conhecendo já a vida eterna, sabendo que suas palavras mudariam o rumo da história. Sabendo, principalmente, que nenhuma condenação restava sobre ele por causa de um dia triste em que negou Jesus, e que tinha sido apagado da memória de Deus.


Baseado em relatos escritos nos livros de Marcos cap. XIV; João cap. XXI; Atos cap. V.
Última atualização em Qua, 03 de Março de 2010 21:58
 

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